quero um não





Quero alguém
Alguém pra quem
Entregue o olhar
Pra também me enxergar

Quero alguém
Alguém que já sei
Tira fotos como ninguém
Registra a vida
E tudo mais me fascina

Quero sua voz em rimas
Suas letras em tintas
E Rabiscos em minha cortina

Quero uma vida a dois
Uma vida pra quem
Eu seja mais que alguém
Um alguém que pra mim
Seja mais do que sim
Seja mais que assim
Seja tudo enfim

Tom Marcelino
Poesia Bruta
8 de Janeiro de 2009

Acreditar no Natal


Esse não é um texto meu, mas espetacularmente reproduz a essência dos meus pensamentos... faço então minhas as palavras de Lya Luft:

"As pessoas se queixam muito de que o Natal hoje é só comércio. Depende de quem o comemora. Se me endivido por todo o próximo ano comprando presentes além de minhas possibilidades, pois no fundo acho que assim compro amor, estou transformando o meu Natal num comércio, e dos ruins. Se entro nesses dias frustrado porque não pude comprar (ou trocar) carro, televisão, geladeira, estou fazendo um péssimo negócio para minha alma. E, se não consigo nem pensar em receber aquela sogra sempre crítica, aquele cunhado cínico, aquele sobrinho malcriado, abraçar o detestado chefe ou sorrir para o colega que invejo, estou transformando meu Natal num momento amargo. Então, depende de nós. Claro que há as tragédias, as fatalidades, doença, morte, desemprego, alguma maldade – essas não faltam por aí. Um avô meu morreu de doença muito dolorosa, na véspera de Natal. Foi a primeira vez que vi um adulto, minha avó, chorando. Há poucos anos, minha mãe morreu na antevéspera de Natal, depois de longuíssimo tempo de uma enfermidade maldita. Mas foram também ocasiões de conforto e consolo, abraço, amor e entendimento.

Na medida em que não se podem dar muitos e caríssimos presentes, talvez até se apreciem mais coisas delicadas como a ceia, o brinde, o carinho, os votos, a reunião da família, o contato emotivo com os amigos, mensagens pelo correio ou e-mail, música menos barulhenta e aroma de velas acesas. Mais que tudo isso, o perfume de uma esperança ainda que realista. A crise nas finanças pode incrementar a valorização dos afetos. Se não pudermos viajar, curtiremos mais nossa casa. Se não há como trocar velhos objetos, vamos cuidar mais dos que temos. Se não podemos comprar o primeiro carro, vamos olhar melhor nossos companheiros no metrô. Vamos curtir mais nossos ganhos em afeto.

Não é preciso ser original para escrever sobre o Natal. A gente só quer que ele seja tranqüilo e gostoso, e que nos faça acreditar: em Papai Noel, em anjos, em famílias amorosas ou amigos fiéis, em governantes mais justos e líderes mais capazes, em um povo mais respeitado – em alguma coisa a gente acaba sempre acreditando. Porque, afinal de contas, é a ocasião de ser menos amargo, menos crítico, menos lamurioso e mais aberto ao sinal deste momento singular, que tanto falta no mundo: a possível alegria, e o necessário amor."

Ainda a sonhar

Ainda que seja por hoje
Ainda que seja assim
Seu sorriso me fez sonhar
Seu sorriso me fez sentir

Idealizei pra me perder
E perdi pra encontrar
Ainda que seja por hoje
Ainda que seja assim

Parei pra te ver
Parei pra apreciar
Sonhei em viver
E vivo de sonhar

Quero-te aqui
Mais do que lá
Quero-te no viver
Ainda mais no sonhar

Sonho viver
Para o sonho realizar
Essa é minha vida
É o meu desejar

Quando será que vou
Novamente viver
O que vivi no sonhar?


Tom Marcelino

Cegos e sós

O amor está por todos os lados
Em cada uma das direções
Invisível à maioria insensível
Por quê não podem vê-lo
Se para mim ele brilha a cada dia
Como um sol infinito
Iluminando cada sombra
Acompanhando cada alma
Nunca deixando alguém
Em própria solidão?

Tom Marcelino
22 de outubro de 2008
Bobby Long Inspiration

Se é minha, o que fazer?

Num poema sem sentido
Desconto a minha vida
Pois é na escrita
Onde encontro meu prazer

Penso em palavras
Penso em seus sons
Sentidos e dons

Penso, penso, penso
Se penso, só penso
Mas nada consigo apreender
Se a vida for como um dever

Mas a vida é minha
É de quem quiser
E sendo como é
Desisto do dever

Faço da vida o meu viver
E se assim eu quero
Assim vai ser

Se duvidas
Escreves uma rima
E eu escolho então
Se uma sina ou se me fascina

E assim levo a vida
Da forma como me combina
De como é o meu querer
Sendo o que sou
Sendo o meu viver.


Tom Marcelino

Equilibrista

A corda é fina
A corda é bamba
Nem com uma rima
A vida se equilibra

O equilibrado
vê do alto
A corda fina
Do caminho que domina

O desequilibrado
vê embaixo
a corda bamba
do destino que que o vitima

A corda é fina
A corda é bamba
Faço uma rima
E sigo a vida.
Equilibrista, equilibrando.

Tom Marcelino

Music Inspiration

Inapropriada é a canção
Que não cantada
Faz de vozes e ouvidos
Duetos divididos

Pense 1, 2, 3
Não espere sua vez
Cante 1, 2, 3
Veja o que já fez

Solte a respiração
Sua voz numa canção
Feche os olhos
Expire inspiração

Penso 1, 2, 3
Quero a minha vez
Ouço 1, 2, 3
Sinto o que me fez

O ritmo é o tempo
E tempo perdido
É música não sentida
Vida não vivida

Um, dois, três
O dueto dessa vez
Um, dois, três
Quatro, cinco, seis...

Tom Marcelino
30.07.2008

Time's A Wastin' (Johnny & June)

Amarras

não havia tijolo
nem construção
não, não era o operário em construção
o que se via
era sim um prisoneiro
sem grades nem detenção
mas um interno em confusão...

eu sou tudo, sou nada, sou filósofo, sou poeta e um sonhador... vivendo a vida e seu esplendor...

Tom Marcelino

Ars Amatoria - A arte de Amar

Segundo o poeta romano Ovídio, escritor de 'Ars Amatoria' (A arte de amar), uma trilogia sobre a sedução, a arte do amor é praticamente um método a ser seguido, aplicado e alcançado. Dito dessa forma, acredito que os Don Juans da atualidade utilizam o didático ensinamento buscando a sua única finalidade, a conquista (realmente obtida utilizando o sistema "ovidiano"). Esquecem no entanto que sem sentido, a conquista não tem valia nem significado. Seus famosos 12 mandamentos descrevem perfeitamente quais táticas devem ser usadas na conquista. Em contra ponto a este poema, escrevi uma crítica chamada Nauj Mod que fala exatamente não como fazer, mas como sentir.
Por fim, em homenagem aos enamorados, deixo aqui algumas palavras de uma antiga poesia minha (aceito sugestões de título) ainda muito atual.


Eu te amo
Ainda que o futuro esteja cheio de improbabilidades
Ainda que as incertezas sejam maiores
Ainda que o medo corrompa a impulsão

Eu te amo
Ainda que me arrependa dessa atração
Ainda que um dia perceba a ilusão
Ainda assim, te amo de coração

Eu te amo
Ainda que quisesse estar enganado
Ainda que fosse eu nascido em outra região
Que me dissessem se sim ou se não

Eu te amo
Enquanto não houver razão
De existir ou não
O que me importa é sentir
Sentir se me queres ou não
Sendo sua resposta assim ou em vão

Não te quero partida na indecisão
Quero-te inteira sem medo ou paixão
Quero-te vida na imperfeição

Eu te amo
Ainda que sem dizer-te
Que reside em ti
O prazer de viver

Se me ouves
Não encontra uma canção
E sim um lamento
De alguém sem sustento
Que encontra aí
Razão de sentir

Nunca disse assim
Como vês aqui
Imploro a ti
Que não esqueças de mim
Quando ouvires um refrão
Dizendo assim
Te amo sem fim

Tom Marcelino

C'est moi...C'est ma vie...

Queira acreditar, não precisa se preocupar. Veja através dos seus próprios olhos a beleza reflexa do seu ser. Supere erros, aprenda com eles. Não sinta solidão, e quando estiver só, faça companhia a si mesmo. Ouça conselhos, mas invente sua própria sabedoria, ela é individual e intransferível. Amor e compreensão andam abraçados. Compreender é respeitar, ainda que sem entender, e amar é incondicionar, viver, sorrir e chorar. Experimentar e nunca esquecer, sentir e amar, amar e viver. Viver e sonhar.