Se é minha, o que fazer?

Num poema sem sentido
Desconto a minha vida
Pois é na escrita
Onde encontro meu prazer

Penso em palavras
Penso em seus sons
Sentidos e dons

Penso, penso, penso
Se penso, só penso
Mas nada consigo apreender
Se a vida for como um dever

Mas a vida é minha
É de quem quiser
E sendo como é
Desisto do dever

Faço da vida o meu viver
E se assim eu quero
Assim vai ser

Se duvidas
Escreves uma rima
E eu escolho então
Se uma sina ou se me fascina

E assim levo a vida
Da forma como me combina
De como é o meu querer
Sendo o que sou
Sendo o meu viver.


Tom Marcelino

Equilibrista

A corda é fina
A corda é bamba
Nem com uma rima
A vida se equilibra

O equilibrado
vê do alto
A corda fina
Do caminho que domina

O desequilibrado
vê embaixo
a corda bamba
do destino que que o vitima

A corda é fina
A corda é bamba
Faço uma rima
E sigo a vida.
Equilibrista, equilibrando.

Tom Marcelino

Music Inspiration

Inapropriada é a canção
Que não cantada
Faz de vozes e ouvidos
Duetos divididos

Pense 1, 2, 3
Não espere sua vez
Cante 1, 2, 3
Veja o que já fez

Solte a respiração
Sua voz numa canção
Feche os olhos
Expire inspiração

Penso 1, 2, 3
Quero a minha vez
Ouço 1, 2, 3
Sinto o que me fez

O ritmo é o tempo
E tempo perdido
É música não sentida
Vida não vivida

Um, dois, três
O dueto dessa vez
Um, dois, três
Quatro, cinco, seis...

Tom Marcelino
30.07.2008

Time's A Wastin' (Johnny & June)

Amarras

não havia tijolo
nem construção
não, não era o operário em construção
o que se via
era sim um prisoneiro
sem grades nem detenção
mas um interno em confusão...

eu sou tudo, sou nada, sou filósofo, sou poeta e um sonhador... vivendo a vida e seu esplendor...

Tom Marcelino

Ars Amatoria - A arte de Amar

Segundo o poeta romano Ovídio, escritor de 'Ars Amatoria' (A arte de amar), uma trilogia sobre a sedução, a arte do amor é praticamente um método a ser seguido, aplicado e alcançado. Dito dessa forma, acredito que os Don Juans da atualidade utilizam o didático ensinamento buscando a sua única finalidade, a conquista (realmente obtida utilizando o sistema "ovidiano"). Esquecem no entanto que sem sentido, a conquista não tem valia nem significado. Seus famosos 12 mandamentos descrevem perfeitamente quais táticas devem ser usadas na conquista. Em contra ponto a este poema, escrevi uma crítica chamada Nauj Mod que fala exatamente não como fazer, mas como sentir.
Por fim, em homenagem aos enamorados, deixo aqui algumas palavras de uma antiga poesia minha (aceito sugestões de título) ainda muito atual.


Eu te amo
Ainda que o futuro esteja cheio de improbabilidades
Ainda que as incertezas sejam maiores
Ainda que o medo corrompa a impulsão

Eu te amo
Ainda que me arrependa dessa atração
Ainda que um dia perceba a ilusão
Ainda assim, te amo de coração

Eu te amo
Ainda que quisesse estar enganado
Ainda que fosse eu nascido em outra região
Que me dissessem se sim ou se não

Eu te amo
Enquanto não houver razão
De existir ou não
O que me importa é sentir
Sentir se me queres ou não
Sendo sua resposta assim ou em vão

Não te quero partida na indecisão
Quero-te inteira sem medo ou paixão
Quero-te vida na imperfeição

Eu te amo
Ainda que sem dizer-te
Que reside em ti
O prazer de viver

Se me ouves
Não encontra uma canção
E sim um lamento
De alguém sem sustento
Que encontra aí
Razão de sentir

Nunca disse assim
Como vês aqui
Imploro a ti
Que não esqueças de mim
Quando ouvires um refrão
Dizendo assim
Te amo sem fim

Tom Marcelino

C'est moi...C'est ma vie...

Queira acreditar, não precisa se preocupar. Veja através dos seus próprios olhos a beleza reflexa do seu ser. Supere erros, aprenda com eles. Não sinta solidão, e quando estiver só, faça companhia a si mesmo. Ouça conselhos, mas invente sua própria sabedoria, ela é individual e intransferível. Amor e compreensão andam abraçados. Compreender é respeitar, ainda que sem entender, e amar é incondicionar, viver, sorrir e chorar. Experimentar e nunca esquecer, sentir e amar, amar e viver. Viver e sonhar.

Sonial

Se pensares em se estabelecer
Creias que já o é, ó meu amigo
Não falo por credulidade ou esperança
Digo em certeza o que preza o meu saber

Se com poesia saboreares a vida
Que assim o seja
Sendo as palavras as curadoras de sentimentos
Ou mesmo expressões de indagações

Se velejares pelo mundo perdido
Encontra-te comigo
Estou também vagando pela vida
Ainda sem destino, amigo
Mas buscando meu caminho

Se pensas no futuro
Que esteja lá bem escrito
Fazer da vida o seu triunfo
Pessoal e coletivo, estado conjuntivo

Cinco anos, meia década
O tempo é feito de atitudes
Muito mais que minutos
Ele assim o é construído

Dessa sua construção
Comportamento e cognição
Qualquer que seja a apreensão
Não me preocupo contigo
Saiba disso, meu amigo

Tom Marcelino
13 de maio de 2008

Interpretações Infantis

Quando somos pequenos as interpretações das coisas costumam ser muito mais criativas e inusitadas, por assim dizer. A ausência de conhecimentos prévios e conceituações nos levam a criar respostas para esse hiato de significações. Lembro-me de duas frases que guardo na memória como recordações engraçadas da velha infância. Numa das primeiras vezes que andei de ônibus, li o seguinte aviso escrito próximo ao condutor: “falar ao motorista somente o indispensável”. De imediato, e sem hesitar, interpretei com plena convicção – “indispensável é o nome do cargo daquele cara lá atrás que recebe o dinheiro das passagens”. Ou seja, por algum tempo, achei que o nome do cobrador (trocador) fosse “indispensável” e acreditava que somente ele tinha o direito de falar com o motorista. Engraçado não? Já em outra ocasião, no início dos 8 anos em que pratiquei natação, recordo-me como se fosse hoje de uma placa , que ficava na base das escadas da plataforma de saltos, que trazia tal inscrição: “Mente sã, corpo são.” Essa frase, por alguns dias atordoou meus pensamentos. Ficava a pensar comigo mesmo, o que a mente era e o corpo também? Achava que a frase estava incompleta e eu precisava saber o que a mente e o corpo eram, já que “mente sã, corpo são”; mas são o que? Era assim que eu pensava. Passado alguns dias, evoluí um pouco e imaginei, depois de muito matutar, que o são, poderia ser de sanidade e que a única explicação para aquela outra palavra nunca antes vista ou ouvida (sã), só poderia ser o feminino de são. Resolvida a questão, a placa já não mais me atormentava a imaginação. Agora ficou como recordação. Rsss

A felicidade não tira férias...


Inerente ao ser humano é o sorriso, assim como o choro; mas, diferentes da felicidade, eles são apenas expressões de sentimentos. O sentimento em si é a felicidade. Essa que nos esquecemos, que deixamos de lado, que condicionamos a eventos ou circunstâncias distintas da individualidade. As regras coletivas determinam o que é ser ou estar feliz. Mas não se pode estar feliz. Só se pode ser. Ainda que os tristes se enganem e pensem que não o são; são. Não são sãos. Isso sim eles não são.

Ao contrário do que muitos pensam, a felicidade é uma condição permanente. O que não é constante é nossa consciência dessa condição.

Obsoletos, prepotentes e arrogantes – Os Especialistas


Acreditem, a área de maior predominância da prepotência e arrogância encontra-se entre os pseudo-especialistas. A princípio, especialistas são profissionais ou estudiosos de determinado assunto em específico, de um segmento de algo maior. Infelizmente os verdadeiros especialistas estão desaparecendo. Hoje freqüentemente o que encontramos por aí são repetidores de teorias já enrijecidas ou aceitas como verdades incontestáveis. Mas não são exatamente essas características que os tornam obsoletos, prepotentes e arrogantes. A essência da desqualificação de tais pseudo-intelectuais deve-se especificamente à fuga do debate aberto com pensantes não especializados sobre determinados assuntos. Ao contrário do que se deveria esperar dos pensadores de especialidades, na maioria dos casos, não encontramos entre eles inovações nem originalidade, muito menos humildade. Acreditam eles, ter a percepção perfeita sobre as verdades dos seus segmentos (será elas existem? sei não). Dessa forma, acabam desqualificando àqueles que com ousadia e transgressão tentam discutir determinados assuntos sob os quais os especialistas se acham os únicos donos de razão. Sinto informa-lhes, caros especialistas, mas o diálogo pode sempre ser agregador e a humildade de discutir assuntos sob os quais se acredita ter tamanha sabedoria não deveria vos ser repelente. Ao debater determinadas questões com leigos, podem-se despertar inúmeras novas reflexões incitadas pela curiosidade ou mesmo pela ignorância, e, com essa possibilidade, repensar as teorias e criar novas hipóteses mais autênticas, originais e até mesmo revolucionárias. Com certeza isso é melhor que qualquer “não vale a pena conversar com você sobre isso”.